A Lagoa de Santo André

 

 

A Lagoa de Santo André (LSA) é parte integrante da Reserva Natural, constituída por um conjunto de ecossistemas litorais e sub-litorais, que inclui também a Lagoa da Sancha. A LSA, com uma área média de 3 km/2, é um exemplo típico das lagoas costeiras mediterrânicas, um dos tipos de zonas húmidas mais vulneráveis.

Esta massa de água de transição, entre os sistemas de água-doce e o mar, está fechada ao mar por um cordão dunar formado naturalmente, e conta com uma gestão de abertura artificial, pela mão do Homem, desde o séc. XVIII. O objetivo desta abertura anual começou por estar focado na agricultura, com a libertação de água para preparar os terrenos para o efeito. Esta prática da abertura perpetuou-se até aos dias de hoje, o que tem permitido o abrandamento do processo natural de eutrofização característico deste tipo de massas de água, que naturalmente conduziria esta zona húmida a uma região pantanosa.

Associada a esta gestão encontra-se a pesca, particularmente dirigida a uma espécie, a enguia-europeia, espécie icónica da região, com produtividades bastante elevadas na LSA, atingindo níveis superiores a outras massas de água europeias, de características semelhantes.

A histórica atividade da pesca na LSA, que, para além da enguia, tem como alvo outras espécies de elevado valor comercial, como o robalo, a baila, a dourada, os sargos, a choupa ou os linguados e solhas, entre outras, apresentam registos de pescado vendido em lota que oscilam entre as 9 e as 47 toneladas (dados das décadas de 1970 e 1980). A enguia encontra-se entre a maioria do peixe transacionado, tendo sido superior a 90% do total entre 1985 e 1988. Dado que a lota, local onde o pescado era transacionado, encerrou no ano de 1996, não existe informação recente sobre o produto da pesca. Desde essa data, e atendendo ao declínio da população em toda a área de distribuição, é provável que se tenha verificado uma redução da produtividade da lagoa no que respeita à enguia. Ainda assim, estima-se que somente esta espécie será responsável por um volume de negócio anual de aproximadamente 50 000 €, gerados por uma comunidade piscatória que conta regularmente com cerca de 40 pescadores.


 

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